Viver no piloto automático é um comportamento tentador. Seguir roteiros sociais pré-fabricados, nascer, estudar, trabalhar, casar e conquistar bens, nos dá uma sensação confortável de segurança.
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No entanto, em algum momento da vida, quase todo mundo esbarra em uma pergunta inevitável e incômoda: “Qual é, afinal, o sentido de tudo isso?” Se você já olhou para o teto de madrugada com esse tipo de questionamento, parabéns: você experimentou um lampejo de existencialismo.
Essa vertente não está interessada em fórmulas mágicas ou verdades abstratas sobre o Universo, o foco é a vida humana real, crua, cheia de escolhas e sem garantias.
Neste artigo você encontrará:
- O que é existencialismo?
- Qual é a principal ideia do existencialismo?
- Quais são as características do existencialismo?
- Quem são os principais filósofos do existencialismo?
- Existencialismo cristão e existencialismo ateu: qual é a diferença?
- O que significa dizer que o homem está “condenado a ser livre”?
- Existencialismo e autenticidade
- Existencialismo no Enem e em vestibulares
- FAQ: Perguntas frequentes sobre Existencialismo

O que é existencialismo?
O existencialismo é uma corrente filosófica contemporânea que coloca a existência humana individual no centro de todas as investigações.
Mais do que um campo de estudos, o significado do existencialismo está profundamente atrelado à ideia de que nós não nascemos com um “propósito” carimbado em nossa alma.
Diferente de uma cadeira, que foi desenhada e fabricada com uma utilidade clara antes mesmo de existir, o ser humano é posto no mundo sem um manual de instruções.
O sentido da vida não é algo para ser encontrado, mas sim construído ativamente por meio de nossas ações, decisões e convicções cotidianas.
Qual é a principal ideia do existencialismo?
Se precisássemos resumir todo o peso dessa linha de pensamento em uma única tese, ela seria a famosa máxima: “a existência precede a essência”.
Essa frase condensa a ruptura do existencialismo com a filosofia tradicional (e com as visões puramente religiosas). Ela significa que:
- Primeiro, você existe (nasce, aparece no mundo, age);
- Só depois você se define (cria sua essência, sua identidade e seu legado).
Em termos práticos, você não é covarde, herói, professor ou artista por causa de um destino predeterminado. Você se torna cada uma dessas coisas à medida que faz escolhas que constroem essa realidade. Nós somos os únicos autores de nossa própria biografia.
Quais são as características do existencialismo?
Para identificar a presença desse pensamento em textos, livros ou provas, fique atento às cinco existencialismo características fundamentais:
- Liberdade individual absoluta: não há desculpas externas (como os astros, o destino ou a sociedade) que anulem a sua capacidade de decidir o que fazer com a sua vida;
- Responsabilidade pelas escolhas: se a liberdade é total, as consequências também são. O indivíduo é o único culpado por seus fracassos e o único realizador de seus sucessos;
- Angústia existencial: perceber que o Universo não tem um sentido intrínseco e que o peso das escolhas está apenas nos seus ombros gera um frio na barriga inevitável, a famosa angústia;
- Busca de autenticidade: viver de acordo com suas próprias verdades, assumindo os riscos, em vez de se camuflar na opinião da maioria;
- Recusa de explicações prontas: ceticismo em relação a sistemas filosóficos ou dogmas fechados que tentam pasteurizar a experiência humana.
Quem são os principais filósofos do existencialismo?
Embora o existencialismo tenha ganhado força no século 20, suas raízes são anteriores. O grupo dos principais filósofos do existencialismo reúne pensadores com visões de mundo bem distintas, mas que compartilhavam a obsessão pelo dilema da vida humana concreta.
Linha do tempo e vertentes dos autores
| Kierkegaard / Século XIX | Angústia e o “salto de fé” (Existencialismo Cristão) |
| Nietzsche / Século XIX | Morte de Deus e a criação de valores próprios |
| Heidegger / Século XX | O conceito de Dasein (o ser-no-mundo) |
| Sartre e Beauvoir / 1950 | Liberdade radical, política e ética ateia |
| Camus / Século XX | O Absurdo da vida e a revolta consciente |
Existencialismo cristão e existencialismo ateu: qual é a diferença?
Muitos acreditam que todo existencialista rejeita a espiritualidade, mas a existencialismo filosofia divide-se em duas vertentes bem consolidadas:
| Critério de comparação | Vertente Cristã | Vertente Ateia |
| Principais nomes | Søren Kierkegaard, Gabriel Marcel | Jean-Paul Sartre, Albert Camus |
| Visão sobre Deus | Deus existe, mas não anula a angústia da escolha individual. | Deus não existe; o homem está desamparado no Universo. |
| A busca de sentido | Ocorre por meio do “salto de fé” e do relacionamento ético com o divino. | Ocorre pela aceitação do vazio e pela criação de valores puramente humanos. |
Ambas concordam que a vida humana na Terra é marcada pela incerteza e pela necessidade de posicionamento pessoal, mas divergem completamente sobre o que nos espera na transcendência.
O que significa dizer que o homem está “condenado a ser livre”?
Esta é uma das frases mais célebres do filósofo francês Jean-Paul Sartre sobre o existencialismo. À primeira vista, associar a palavra “condenado” à ideia de “liberdade” parece uma contradição, mas guarda uma verdade psicológica profunda.
Sartre explica que a liberdade não é um prêmio ou um privilégio, ela é uma condição da qual não podemos escapar. Mesmo quando você decide cruzar os braços e não escolher nada, você acabou de fazer uma escolha: a de se omitir.
A fórmula Sartreana: Não fomos nós que pedimos para nascer, fomos jogados no mundo. Mas uma vez que estamos aqui, somos obrigados a fazer escolhas a cada segundo. E o peso de errar ou acertar é inteiramente nosso. Daí nasce a angústia.
Existencialismo e autenticidade
No coração da discussão sobre existencialismo e liberdade está o conceito de má-fé. Sartre utilizava esse termo para descrever as pessoas que tentam escapar da própria liberdade usando determinismos.
Dizer frases como “eu nasci em uma família pobre, por isso nunca serei ninguém” ou “o mercado de trabalho está horrível, então nem adianta eu tentar estudar” são, para a filosofia, atos de má-fé.
É quando o sujeito finge que é um objeto sem escolha para não ter que carregar o fardo e a culpa de falhar. A vida autêntica exige olhar para as circunstâncias e decidir o que fazer apesar delas.
Existencialismo no Enem e em vestibulares
Se você está se preparando para o existencialismo no Enem, ou para outras provas, saiba que as bancas adoram cruzar esse tema com questões de direitos humanos, ética e literatura (como as obras de Clarice Lispector ou Franz Kafka).
Os exames costumam cobrar a relação entre a liberdade sartreana e as pautas sociais de Simone de Beauvoir sobre a construção do papel da mulher na sociedade.
Saiba como o assunto costuma ser abordado na prática com duas questões resolvidas:
Questão 1 (ENEM / Adaptada)
“O que significa aqui dizer que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se encontra, surge no mundo e só posteriormente se define. O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é definível porque de início não é nada. Ele só será alguma coisa posteriormente, e será tal como se tiver feito.” (SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo).
Com base no fragmento de texto de Jean-Paul Sartre, a principal característica do existencialismo resume-se na:
a) submissão das ações humanas aos desígnios de uma natureza divina.
b) predeterminação biológica que molda o caráter do indivíduo desde o nascimento.
c) autonomia do sujeito na construção e responsabilidade por sua própria identidade.
d) negação da liberdade em prol do bem-estar e da segurança coletiva da sociedade.
Gabarito Comentado: Alternativa C. O texto deixa claro que o homem “será tal como se tiver feito”. Isso valida a autonomia completa do indivíduo para se autodefinir através de seus atos ao longo da vida, sem depender de predeterminações.
Questão 2 (Vestibular Unicamp / Adaptada)
Simone de Beauvoir, uma das grandes teóricas do existencialismo e do feminismo, escreveu a famosa frase: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Sob a ótica estritamente existencialista, essa afirmação traduz a ideia de que:
a) o gênero feminino é determinado inteiramente por fatores hormonais e genéticos.
b) a essência feminina é anterior ao nascimento e deve ser preservada pela tradição.
c) as convenções sociais e escolhas individuais constroem o significado do ser mulher.
d) a liberdade feminina independe das construções históricas e culturais da sociedade.
Gabarito comentado: Alternativa C. Beauvoir aplica a máxima de que “a existência precede a essência” à condição feminina. O ser mulher não é um destino biológico fixo, mas sim um papel socializado e assimilado/construído a partir da vivência e das pressões da sociedade.
FAQ: Perguntas frequentes sobre Existencialismo
O que é existencialismo?
É uma corrente filosófica que defende que a existência humana individual precede qualquer definição ou essência. O ser humano é livre, responsável por suas escolhas e responsável por dar um sentido à sua própria vida.
Qual é a principal ideia do existencialismo?
A ideia central é de que “a existência precede a essência”, ou seja, nós primeiro nascemos e existimos no mundo, e somente através de nossas ações e escolhas livres definimos quem realmente somos.
Quem são os principais filósofos do existencialismo?
Os nomes de maior destaque na tradição são Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Søren Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger e Albert Camus.
Qual é a diferença entre existencialismo cristão e ateu?
O existencialismo cristão (Kierkegaard) crê em Deus, mas foca na angústia individual da fé. O existencialismo ateu (Sartre) defende que, como Deus não existe, não há uma moral preestabelecida e o homem está desamparado, sendo o único criador de seus valores.
O existencialismo cai no Enem?
Sim, com bastante recorrência. Geralmente aparece na prova de Ciências Humanas focando nos conceitos de liberdade e responsabilidade em Sartre, ou nas discussões de gênero e sociedade propostas por Simone de Beauvoir.
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