Você já se perguntou por que algumas pessoas conseguem economizar dinheiro e manter o foco em metas de longo prazo, enquanto outras cedem a qualquer impulso? Essa dúvida foi a base de um dos experimentos mais famosos da psicologia moderna: o teste do marshmallow.
Esse teste se tornou um ícone da ciência comportamental, prometendo prever o sucesso futuro de uma criança com base em apenas um doce. Mas será que a força de vontade é realmente o único fator em jogo? Hoje, a ciência traz respostas muito mais profundas e surpreendentes sobre esse experimento.
Continue lendo para descobrir o que é esse teste, como funciona e qual a reflexão atual sobre ele.
Se preferir, navegue pelo índice:
- O que é o teste do marshmallow?
- Como funciona o experimento do marshmallow?
- Os resultados de Walter Mischel e o sucesso a longo prazo
- O que a ciência diz hoje sobre o teste do marshmallow?
- Perguntas Frequentes (FAQ)
- Vem pra Gran Faculdade!
O que é o teste do marshmallow?
O teste do marshmallow é um experimento psicológico focado no conceito de gratificação adiada. Ele foi desenvolvido no final da década de 1960 pelo psicólogo Walter Mischel, na Universidade de Stanford. O objetivo era entender em que idade a capacidade de esperar por uma recompensa maior se desenvolve e como essa habilidade impacta a vida adulta.
No teste, uma criança é colocada em uma sala sem distrações. Um pesquisador coloca um marshmallow (ou outra guloseima) à sua frente e faz uma proposta: ele sairá da sala por alguns minutos; se a criança não comer o doce até ele voltar, ela ganhará um segundo marshmallow como recompensa. Se comer, não ganha o segundo.
De forma simples, o teste avalia o autocontrole infantil, investigando como as crianças lidam com impulsos, espera e tomada de decisão.
Como funciona o experimento do marshmallow?
O experimento do marshmallow segue um protocolo simples:
- Uma criança (geralmente entre 4 e 6 anos) é colocada sozinha em uma sala;
- Um doce (como um marshmallow) é colocado à sua frente;
- O pesquisador explica que:
- a criança pode comer o doce imediatamente ou
- esperar cerca de 15 minutos para ganhar dois doces;
- O adulto sai da sala e observa o comportamento da criança.
O funcionamento do experimento é simples na execução, mas complexo na observação do comportamento. O pesquisador geralmente deixava a criança sozinha por cerca de 15 a 20 minutos.
Através de espelhos unidirecionais, os cientistas observavam as táticas de resistência:
- Algumas crianças cobriam os olhos para não ver o doce;
- Outras chutavam a mesa ou puxavam o próprio cabelo para se distrair;
- Muitas cediam à tentação em poucos segundos.
Esse “marshmallow test” (em inglês) revelou que a capacidade de “esfriar” a tentação (focar em outra coisa que não o sabor ou a textura do doce) era a chave para conseguir a segunda recompensa.
O livro “O Teste do Marshmallow” de Walter Mischel
Para quem deseja se aprofundar, o livro “O Teste do Marshmallow”, escrito pelo próprio Walter Mischel, é a fonte definitiva. Na obra, o autor explica que o autocontrole não é um traço genético imutável, mas uma habilidade que pode ser ensinada e aprimorada.
Mischel detalha o “sistema quente” (emocional e impulsivo) e o “sistema frio” (cognitivo e reflexivo). O livro é um guia para entender como podemos treinar nosso cérebro para tomar decisões melhores, desde a infância até a gestão de investimentos e saúde na vida adulta.
Os resultados de Walter Mischel e o sucesso a longo prazo
O que tornou o teste do marshmallow uma sensação mundial foram os estudos de acompanhamento feitos décadas depois. Mischel descobriu correlações impressionantes entre as crianças que esperaram pelo segundo doce e seu desempenho na vida adulta:
- Melhores notas: maiores pontuações no SAT (o “Enem” americano);
- Saúde: menores índices de massa corporal (IMC) e menor probabilidade de dependência química;
- Estabilidade: maior resiliência emocional e sucesso na carreira.
Esses resultados criaram a ideia de que a “gratificação adiada” era o ingrediente secreto para o sucesso. No entanto, a ciência moderna decidiu revisitar esses dados.
O que a ciência diz hoje sobre o teste do marshmallow?
Recentemente, o experimento do marshmallow passou por novas análises que mudaram nossa compreensão. Em 2018, pesquisadores como Tyler Watts replicaram o teste com uma amostra muito maior e mais diversa.
A grande descoberta foi que o fator socioeconômico pesa mais que a força de vontade.
- Contexto de escassez: crianças de famílias mais pobres tendem a comer o marshmallow imediatamente. Isso não é falta de autocontrole, mas uma estratégia racional: em um ambiente de incerteza, o “amanhã” pode não chegar;
- Confiança nas promessas: se a criança vive em um ambiente onde promessas são frequentemente quebradas, ela não tem motivos para acreditar que o segundo marshmallow realmente virá.
Portanto, a ciência atual diz que o teste mede, em grande parte, a estabilidade do ambiente em que a criança vive, e não apenas uma característica inata de sua personalidade.
O teste do marshmallow continua sendo uma ferramenta valiosa para entender a mente humana, mas hoje sabemos que o autocontrole não existe no vácuo. Ele depende de confiança, segurança e recursos.
Entender essa explicação nos permite ser mais empáticos e focar na criação de ambientes que permitam às pessoas, e especialmente às crianças, planejar o futuro com segurança.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O teste do marshmallow prova inteligência?
Não diretamente. Embora exista uma correlação com melhores notas acadêmicas, o teste mede mais a função executiva e o ambiente socioeconômico do que a inteligência cognitiva bruta (QI).
O teste do marshmallow ainda é válido?
Sim, ele ainda é uma referência na psicologia, mas sua interpretação mudou. Hoje, ele é visto como um indicador de como o contexto social influencia as decisões individuais, e não como um destino biológico.
Onde baixar o teste do marshmallow pdf grátis?
Muitos artigos acadêmicos sobre o experimento de Mischel estão disponíveis em repositórios gratuitos como o Google Acadêmico. O livro oficial, porém, é protegido por direitos autorais e deve ser adquirido em livrarias.
Quem criou o experimento do marshmallow?
O teste foi criado pelo psicólogo Walter Mischel, professor da Universidade de Stanford, entre o final dos anos 60 e início dos 70.
Como aplicar o teste do marshmallow em adultos?
Em adultos, o teste é aplicado através de escolhas financeiras (ex: receber R$ 100 hoje ou R$ 150 daqui a um mês). Isso estuda o fenômeno do “desconto hiperbólico”.
O que as crianças que esperaram fizeram de diferente?
Elas usaram “estratégias de distanciamento”, como fingir que o marshmallow era apenas uma nuvem ou uma foto, despersonalizando o desejo pelo doce.
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