Epidemiologia: o que é, conceito, objetivos, tipos de estudo e mais

Saiba o que é epidemiologia, entenda seu conceito e qual a importância da área para a saúde pública

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A epidemiologia é uma área da saúde que se dedica a estudar doenças e sua relação com a sociedade. Ou seja, ela vai além do aspecto biológico, buscando entender como fatores sociais influenciam as questões de saúde.

Por isso, a epidemiologia dialoga com a Estatística e as Ciências Sociais, ao analisar de forma contextual temas ligados à saúde pública, doenças e seus impactos sociais.

Seu papel ficou evidente durante a pandemia de Covid-19, quando foi essencial para mapear fatores de risco e reduzir os impactos da doença. 

Portanto, esse é um campo em constante crescimento e com excelentes oportunidades para os profissionais da saúde.

O que significa epidemiologia?

A definição de epidemiologia vem do grego: epi (sobre), demos (povo), logos (conhecimento). Ou seja, conhecimento sobre o povo, mas, aqui, aplicado no campo da saúde.

O que é vigilância epidemiológica?

A vigilância epidemiológica é um conjunto de ações para monitorar doenças e outros agravos que afetam a saúde individual e coletiva

Ela atua identificando riscos, acompanhando a ocorrência de casos e implementando medidas de prevenção. 

Em outras palavras, essa é uma área essencial da epidemiologia voltada a monitorar doenças que possam representar uma ameaça à população e ao meio ambiente.

Conceito de epidemiologia

Segundo o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, o IBICT:

“A epidemiologia estuda os aspectos e as dimensões relativos ao comportamento e à evolução de problemas de saúde coletiva, com destaque para sua incidência, distribuição, e possível controle dos determinantes das doenças e de seus fatores.”

Profissional de saúde analisando dados em gráficos enquanto trabalha no computador em ambiente clínico ou hospitalar.

Como surgiu a epidemiologia?

A epidemiologia surge, principalmente, a partir de contextos históricos onde houve doenças de impacto mundial, como Varíola, Cólera, Febre Amarela e tantas outras.

Devido ao alto número de vítimas e caos social instaurado por essas enfermidades, foi necessária uma área de estudos dedicada a entender contextos de contaminação.

O objetivo era mapear em que situações essas doenças se desenvolviam mais, suas consequências para a população mundial e como controlá-las. 

A seguir, veja uma linha do tempo com a história da epidemiologia:

PeríodoDoençaAvanço Epidemiológico
Século XIVPeste Negra devasta a EuropaPrimeiros registros de isolamento e quarentena para conter doenças.
Século XIXCólera em LondresJohn Snow identifica a contaminação da água como causa — marco inicial da epidemiologia moderna.
Início do Século XXGripe Espanhola (1918)Fortalecimento das práticas de vigilância e notificação de casos.
Décadas de 1950–1980Erradicação da VaríolaUso coordenado de campanhas globais de vacinação pela OMS.
Década de 1980AIDS/HIVExpansão de estudos epidemiológicos sobre comportamentos e políticas de prevenção.
Anos 2000Surtos de SARS e H1N1Avanço na vigilância epidemiológica internacional e nos protocolos de resposta rápida.
2020 em diantePandemia de Covid-19Uso massivo de dados e tecnologia na análise, monitoramento e controle da doença.

Objetivos da epidemiologia

Em geral, o principal objetivo da epidemiologia é promover um maior tratamento, prevenção e controle de doenças, principalmente as mais graves. 

Ou seja, o foco da área é estudar, mapear e atuar frente a diferentes demandas sanitárias que possam causar grandes impactos na população em geral.

Além disso, podemos considerar também:

  • prevenção de doenças;
  • análise de dados relacionados à saúde pública;
  • mapeamento e acompanhamento de novas doenças;
  • busca por novos tratamentos, medicações e vacinas;
  • educação social para questões de saúde pública e muito mais.

Boletim epidemiológico

Um boletim epidemiológico é um documento divulgado periodicamente com dados sobre principais doenças epidemiológicas ativas

Ele serve como uma forma de informar e monitorar os casos vigentes a partir dos dados epidemiológicos.

Indicadores epidemiológicos

Indicadores epidemiológicos são informações usadas para interpretação dos casos, como número de casos ativos, mortes pela doença, recuperações, sintomas, entre outros

O foco é usar esses diferentes dados epidemiológicos para avaliar o desenvolvimento dessas condições e combater as doenças.

Pilares da epidemiologia

Os pilares da epidemiologia são:

  • Ciências da Saúde atuar frente a questões operacionais de tratamento, controle e prevenção de doenças de risco e/ou em geral;
  • Ciências Sociais buscando entender e compreender questões sociais, impactos na população e efeitos da doença no cotidiano;
  • Estatística — para analisar e lidar com dados quantitativos, taxas e índices numéricos relacionados à saúde pública, contaminação e controle social.

Metodologia e ferramentas da investigação epidemiológica

A epidemiologia utiliza métodos científicos para compreender como doenças e agravos se distribuem e se comportam na população.

A metodologia e ferramentas da investigação epidemiológica envolvem desde a coleta e análise de dados até a identificação de padrões e possíveis relações causais entre fatores de risco e desfechos em saúde. 

Para isso, pesquisadores definem o problema, escolhem amostras representativas e aplicam técnicas estatísticas que permitem transformar dados brutos em informações úteis para a saúde pública.

A investigação busca estabelecer associações e relações causais, analisando se determinados fatores estão apenas correlacionados ou se realmente causam a exigência de doenças. 

Essa diferenciação é essencial para orientar políticas de prevenção, um dos objetivos centrais da epidemiologia e saúde pública.

Fontes de dados epidemiológicos

Sem dúvida, a qualidade das informações é a base de qualquer estudo epidemiológico. As principais fontes de dados epidemiológicos são:

  • registros de saúde — vêm de hospitais e unidades básicas, oferecendo dados clínicos detalhados, mas podem ter inconsistências;
  • censos populacionais — fornecem um panorama da população, embora não seja atualizado com frequência;
  • inquéritos de saúde — coletam dados sobre hábitos, condições e comportamentos, dependendo da veracidade das respostas;
  • notificações compulsórias — são registros obrigatórios de doenças que devem ser comunicadas às autoridades, como dengue, tuberculose e COVID-19. Apesar da sua importância para o controle de surtos, nem todos os casos são registrados oficialmente.

No Brasil, sistemas como DATASUS, SINAN e SIH/SUS são fundamentais para reunir e disponibilizar essas informações. 

A qualidade e a consistência desses dados são determinantes para ter análises confiáveis e para a eficácia das ações de vigilância epidemiológica.

Métodos estatísticos essenciais em epidemiologia

A análise dos dados em epidemiologia envolve medidas de frequência, de associação e de impacto:

  • medidas de frequência — mostram a ocorrência de doenças na população, como incidência (casos novos) e prevalência (total de casos);
  • medidas de associação — indicam a relação entre fatores de risco e doenças, como razão de chances e risco relativo;
  • medidas de impacto — estimam a parcela de casos que poderia ser evitada se um fator de risco fosse eliminado, como a fração atribuível.

Também são considerados conceitos como significância estatística, intervalos de confiança e os critérios que diferenciam correlação e causalidade.

Por exemplo, estudos mostram que o tabagismo está associado ao câncer de pulmão, mas apenas após controlar variáveis e confirmar a relação causal é possível afirmar que o fumo é de fato um fator determinante.

Tipos de estudo epidemiológico

Os principais tipos de estudo epidemiológico são:

  • Epidemiologia Descritiva — considera a distribuição de doenças e saúde considerando o tempo, o lugar e as características individuais;
  • Estudos Analíticos — analisam doenças a partir da sua relação com condições específicas;
  • Estudos Ecológicos — comparam-se questões de saúde a contextos regionais;
  • Estudos Seccionais — estuda a relação de determinadas doenças com determinados perfis de pacientes e/ou participantes do estudo;
  • Estudos Caso-Controle — onde se comparam 2 grupos diferentes e suas variantes em relação a uma doença e/ou tratamento;
  • Estudos de Coorte — identifica-se um determinado perfil de pacientes e analisam-se os fatores específicos relacionados à saúde;
  • Ensaio Clínico — testam-se os efeitos de um tratamento ou medicamento com o objetivo de garantir sua eficiência.
Tipo de Estudo epidemiológicoObjetivoExemplo
DescritivoDistribuição de doenças e condições de saúde em função do tempo, lugar e pessoa.Analisar casos de dengue em diferentes bairros de uma cidade.
AnalíticoIdentificar relações entre doenças e fatores de risco.Avaliar a relação entre sedentarismo e obesidade.
EcológicoComparar indicadores de saúde entre regiões ou populações.Comparar a taxa de mortalidade infantil entre dois países.
Seccional (Transversal)Verificar a relação entre doenças e perfis de participantes em um único momento.Investigar a prevalência de hipertensão em uma população adulta.
Caso-ControleComparar grupos com e sem determinada doença para identificar fatores associados.Comparar hábitos alimentares entre pessoas com e sem diabetes tipo 2.
CoorteAcompanhar um grupo ao longo do tempo para observar o surgimento de doenças.Acompanhar fumantes e não fumantes por 10 anos para avaliar o risco de câncer de pulmão.
Ensaio ClínicoTestar a eficácia e segurança de um tratamento ou medicamento.Avaliar o efeito de um novo antiviral em pacientes com hepatite C.

Importância da epidemiologia

A epidemiologia é fundamental para testagem, prevenção e controle de doenças. Essa área está dedicada a amenizar e evitar os impactos que doenças ou crises sanitárias podem causar.

Dessa forma, ela envolve é um trabalho constante e muitas vezes oculto, mas presente em nosso cotidiano de diversas maneiras, como:

  • fiscalizações sanitárias e de ambientes públicos e privados;
  • estudos epidemiológicos que monitoram surtos e doenças;
  • análises clínicas que identificam agentes infecciosos;
  • desenvolvimento de tratamentos e medicamentos;
  • testes e controle de qualidade.

Com isso, a epidemiologia é um campo essencial para a manutenção da vida, controle social, higiene e combate à proliferação de doenças e pragas. Essa é uma área presente em todos os campos da saúde, sendo importante para toda a sociedade.

A epidemiologia na pandemia de COVID-19

Durante a pandemia de COVID-19, a epidemiologia foi essencial para criar modelos preditivos, acompanhar a evolução dos casos e verificar, na prática, o funcionamento das vacinas na proteção da população

Esses estudos orientaram medidas de controle e decisões baseadas em evidências científicas.

Carreira em epidemiologia

Para atuar em epidemiologia, existem graduação, especialização, mestrado e doutorado, que preparam os profissionais para atuar em diferentes áreas. 

Entre as principais possibilidades de atuação estão:

  • órgãos públicos e secretarias de saúde;
  • organizações internacionais como OMS e OPAS;
  • pesquisa acadêmica;
  • consultorias em políticas de saúde. 

Para desempenhar essas funções, os profissionais precisam dominar análise estatística, interpretação de dados e comunicação científica — habilidades essenciais para transformar informações em decisões que promovam a saúde pública.

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