O mercado de tecnologia continua avançando no Brasil, mas começa uma nova fase: a expansão deve ser mais moderada e as empresas estão mais criteriosas na hora de contratar.
Em vez de buscar apenas profissionais que conheçam ferramentas digitais, as organizações procuram pessoas capazes de aplicar tecnologia para resolver problemas, proteger dados, automatizar processos e gerar resultados.
Em 2025, o mercado brasileiro de tecnologia da informação movimentou US$ 67,8 bilhões, um crescimento de 18,5% em relação ao ano anterior. Para 2026, porém, a projeção é de alta de 5,3%.
Os dados fazem parte do estudo Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) com dados da International Data Corporation (IDC).
A desaceleração não representa uma perda de relevância do setor. Ela indica que o mercado está amadurecendo e que o próximo ciclo de oportunidades será marcado por uma combinação de formação técnica, visão de negócio e capacidade de trabalhar com tecnologias específicas.
Acompanhe o artigo na íntegra, ou navegue pelo índice, se preferir:
- O que explica a desaceleração do mercado de tecnologia?
- Empresas buscam competências específicas em tecnologia
- Áreas de tecnologia com mais oportunidades em 2026
- O que estudar para acompanhar o mercado?
- O futuro do mercado de tecnologia exige especialização
O que explica a desaceleração do mercado de tecnologia?
O crescimento de 2025 foi expressivo e elevou o Brasil novamente à 10ª posição entre os maiores mercados mundiais de tecnologia. Ao mesmo tempo, a participação brasileira nos investimentos de TI da América Latina passou de 34,7% para 38,4%.
Depois de um período de forte expansão, é natural que o ritmo se normalize. Além disso, as empresas passaram a avaliar os investimentos em tecnologia com base em critérios mais objetivos, como eficiência operacional, redução de custos, segurança, produtividade e retorno sobre o investimento.
Isso muda o perfil das oportunidades profissionais. A contratação deixa de estar concentrada na quantidade de pessoas disponíveis e passa a considerar a capacidade de cada profissional de atuar em projetos complexos, integrar sistemas e transformar dados e ferramentas em soluções aplicáveis ao negócio.
Empresas buscam competências específicas em tecnologia
A transformação também aparece na maneira como as empresas consomem tecnologia. A compra de um software, de uma infraestrutura de nuvem ou de uma solução de inteligência artificial não resolve, sozinha, os desafios de uma organização.
É preciso saber implantar, configurar, integrar, monitorar e aperfeiçoar essas soluções. Por isso, conhecimentos em desenvolvimento, dados, segurança, arquitetura de sistemas e gestão de projetos tecnológicos ganham valor quando estão associados à compreensão das necessidades da empresa.
O mercado, portanto, não está apenas contratando profissionais de tecnologia. Está procurando especialistas capazes de trabalhar em áreas prioritárias e de acompanhar uma tecnologia desde o planejamento até a operação.
Áreas de tecnologia com mais oportunidades em 2026
1. Inteligência artificial generativa e agentes de IA
A inteligência artificial generativa e os agentes de IA aparecem entre as principais prioridades de investimento das empresas para 2026. Segundo o levantamento da ABES e da IDC, essa frente foi citada por 53% dos executivos consultados.
A diferença é que a IA começa a deixar de ser vista apenas como uma ferramenta experimental. As empresas querem aplicá-la ao atendimento, à análise de informações, à automação de tarefas, à criação de conteúdo, ao suporte interno e à tomada de decisão.
Nesse cenário, há espaço para profissionais que entendam os fundamentos da inteligência artificial, saibam avaliar a qualidade das respostas produzidas por modelos, estruturá-los para diferentes usos e considerar aspectos como privacidade, ética, segurança e governança.
Os agentes de IA ampliam essa demanda porque são desenvolvidos para executar tarefas e acionar etapas de processos com maior autonomia. De acordo com o estudo, quatro em cada dez empresas já investem nessa tecnologia, enquanto outras 33% pretendem iniciar projetos nos 12 meses seguintes.
Curso relacionado: Inteligência Artificial.
2. Segurança da informação e segurança em nuvem
Quanto mais empresas dependem de sistemas digitais, dados e serviços conectados, maior é a necessidade de proteger acessos, redes, aplicações e informações.
A segurança da informação e a segurança em nuvem foram citadas por 41% dos executivos como prioridades de investimento para 2026.
A área envolve muito mais do que reagir a ataques. Profissionais precisam atuar na prevenção de incidentes, no controle de identidades e permissões, na análise de vulnerabilidades, na criação de políticas, na continuidade dos negócios e no atendimento a requisitos legais e de compliance.
A expansão da nuvem também exige conhecimento para configurar ambientes de forma segura, monitorar operações e reduzir riscos em estruturas que combinam servidores próprios, plataformas em nuvem e diferentes fornecedores.
Curso relacionado: Segurança da Informação.
3. Computação em nuvem e infraestrutura
A nuvem continua entre as frentes que sustentam a evolução do mercado de tecnologia. Infraestrutura de nuvem foi citada por 24% dos executivos entre as prioridades para 2026, ao lado de Big Data e Analytics.
A oportunidade não está apenas na criação de ambientes digitais. As empresas precisam de profissionais que saibam planejar arquiteturas, migrar sistemas, acompanhar custos, garantir disponibilidade e integrar serviços de diferentes plataformas.
Também cresce a procura por conhecimentos em ambientes híbridos, automação, redes, armazenamento e observabilidade. Como os sistemas precisam funcionar continuamente, a capacidade de prevenir falhas e manter a operação estável se torna um diferencial profissional.
Cursos relacionados: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Engenharia de Software e Sistemas de Informação.
4. Dados, Big Data e Analytics
Os dados são a base para decisões mais rápidas e precisas, mas só geram valor quando estão organizados, acessíveis e confiáveis. Por isso, profissionais capazes de coletar, tratar, analisar e interpretar informações seguem em alta.
Big Data e Analytics aparecem entre as prioridades de 24% dos executivos consultados. A atuação pode envolver construção de bancos de dados, criação de pipelines, desenvolvimento de dashboards, definição de indicadores e aplicação de modelos analíticos para apoiar áreas como marketing, finanças, vendas, operações e recursos humanos.
Além da parte técnica, o profissional precisa entender a pergunta que a empresa deseja responder. Saber transformar uma grande quantidade de dados em um diagnóstico claro é tão importante quanto dominar as ferramentas utilizadas no processo.
Curso relacionado: Ciência de Dados.
5. Desenvolvimento de software e integração de sistemas
Mesmo quando o foco da empresa está em inteligência artificial, nuvem ou análise de dados, o desenvolvimento de software continua sendo uma base importante. As organizações precisam criar produtos digitais, modernizar sistemas antigos, integrar plataformas e adaptar soluções às próprias operações.
Esse trabalho exige conhecimentos em lógica de programação, bancos de dados, APIs, arquitetura, testes, versionamento e práticas de desenvolvimento.
Também demanda capacidade de compreender requisitos e construir soluções que sejam escaláveis, seguras e fáceis de manter.
A formação em desenvolvimento pode abrir portas em empresas de tecnologia e em organizações de diversos setores, já que bancos, hospitais, indústrias, instituições de ensino, varejistas e órgãos públicos dependem de sistemas para operar.
Cursos relacionados: Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Engenharia de Software.
6. Sistemas de informação e tecnologia aplicada aos negócios
A tecnologia deixou de ser uma área isolada e passou a participar diretamente das decisões estratégicas. Nesse contexto, profissionais que conseguem conectar sistemas, processos e objetivos de negócio também encontram oportunidades.
Essa atuação pode envolver análise de requisitos, gestão de projetos, implantação de sistemas corporativos, governança de TI, suporte à transformação digital e integração entre equipes técnicas e áreas administrativas.
A formação em Sistemas de Informação é especialmente relacionada a esse perfil porque combina conhecimentos de tecnologia, processos e gestão. É uma alternativa para quem deseja trabalhar na ponte entre o desenvolvimento das soluções e as necessidades da organização.
Curso relacionado: Sistemas de Informação.
O que estudar para acompanhar o mercado?
O crescimento mais lento não elimina as oportunidades, mas aumenta a importância de escolher uma formação alinhada às necessidades do mercado. A melhor opção depende do tipo de atividade que a pessoa deseja exercer:
- Inteligência Artificial: para quem quer atuar com modelos, automação inteligente, agentes e aplicações de IA;
- Ciência de Dados: para quem deseja trabalhar com análise, estatística, visualização e geração de insights;
- Segurança da Informação: para quem tem interesse em proteção de sistemas, redes, dados e ambientes digitais;
- Análise e Desenvolvimento de Sistemas: para quem busca uma formação voltada ao desenvolvimento e à aplicação prática de software;
- Engenharia de Software: para quem deseja aprofundar conhecimentos em arquitetura, qualidade, processos e construção de sistemas;
- Sistemas de Informação: para quem quer integrar tecnologia, gestão, processos e estratégia organizacional.
Independentemente da escolha, algumas competências são úteis em praticamente todas as áreas: raciocínio lógico, comunicação, trabalho em equipe, aprendizado contínuo e capacidade de entender problemas reais.
Também é importante desenvolver conhecimentos sobre segurança, ética, privacidade e uso responsável de dados.
O futuro do mercado de tecnologia exige especialização
O mercado brasileiro de tecnologia segue relevante e deve continuar criando oportunidades, mas a expansão de 2026 tende a ser mais seletiva. A disputa não acontece apenas entre empresas que precisam contratar, mas também entre profissionais com diferentes níveis de preparo para atender a demandas específicas.
Nesse cenário, quem combina uma formação consistente com prática, atualização e visão de negócio consegue se posicionar melhor. Inteligência artificial, segurança da informação, nuvem, dados, desenvolvimento e sistemas aparecem como caminhos promissores porque estão ligados aos principais desafios das organizações.
Mais do que acompanhar a próxima ferramenta da moda, o profissional de tecnologia precisa entender como transformar conhecimento técnico em soluções úteis, seguras e capazes de gerar resultados. É essa combinação que deve definir as oportunidades do setor nos próximos anos.
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