Saber como fazer uma crônica é um desafio para muitos estudantes, curiosos e até escritores iniciantes.
Afinal, esse gênero literário tem uma forma leve de narrar situações do cotidiano, mas exige atenção a detalhes importantes para não virar apenas um relato comum.
Na prática, aprender a criar uma crônica envolve conhecer sua estrutura, identificar os principais tipos e entender qual linguagem usar.
O segredo está em equilibrar simplicidade e reflexão, oferecendo ao leitor uma história breve, mas que deixe marcas.
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Ao longo deste guia, você confere o passo a passo para fazer uma crônica, as diferenças em relação a outros gêneros e exemplos e dicas para aplicar em provas, como vestibulares e até no Enem.
- O que é crônica?
- Quais são os elementos básicos de uma crônica?
- Como posso criar uma crônica?
- Quais são os tipos de crônica?
- Que palavras usar para começar uma crônica?
- Qual é o papel da crônica na literatura?
- A crônica nos vestibulares e no Enem
- Redação nota mil: comece a preparar a sua agora
- O segredo da crônica perfeita: técnicas práticas de observação ativa
- Figuras de linguagem para o gênero crônica
- Do texto literário ao mercado: por que profissionais de comunicação devem dominar a crônica?
- FAQ: respostas sobre como fazer uma crônica
- Vem pra Gran Faculdade!

Entenda o passo a passo de como fazer uma crônica para se sair bem nas provas.
O que é crônica?
A crônica é um gênero textual breve, escrito em prosa, frequentemente destinado a meios de comunicação como jornais e revistas. Em geral, aborda eventos cotidianos.
A palavra crônica vem do latim e significa “chronica”, um registro de eventos ordenados cronologicamente. O termo origina do grego “khronos” e significa tempo.
Dessa forma, as crônicas estão intimamente ligadas ao contexto em que são criadas, e com o tempo, perdem sua “validade” ao ficarem descontextualizadas.
Quais são os elementos básicos de uma crônica?
As características da crônica são bem definidas: brevidade, linguagem acessível, temas cotidianos e reflexões que surgem de situações simples. É exatamente esse caráter de proximidade que conquista o leitor.
Isso não significa que deva ser superficial, mas, sim, envolvente o suficiente para transmitir sua mensagem em poucas linhas.
Como diferenciar crônica de conto?
A principal diferença entre crônica e conto está no seu objetivo. Apesar de ambas serem curtas e de linguagens simples, a crônica busca narrar fatos cotidianos.
Já o conto gira entorno de um fato em específico que pode ser relacionadas ao mundo da fantasia ou não.
Como posso criar uma crônica?
Se você já se perguntou como escrever uma crônica, saiba que existem alguns passos simples que ajudam a organizar ideias e transformar observações em texto.
Passo 1 – escolha um tema próximo do cotidiano
As crônicas ganham força quando partem de situações comuns, como um gesto no transporte público ou a pressa na hora do almoço.
O segredo está em enxergar o extraordinário no banal.
Passo 2 – defina a abordagem e o tom da narrativa
Aqui, você decide se sua crônica será humorística, reflexiva ou até narrativa. Essa escolha muda o impacto final e orienta o estilo de linguagem.
Passo 3 – estruture início, meio e fim
Embora curtas, as crônicas também precisam de começo, desenvolvimento e conclusão. A estrutura de uma crônica bem feita deve garantir que a leitura flua naturalmente.
Passo 4 – dê atenção à linguagem simples e envolvente
A linguagem é o que aproxima autor e leitor. Prefira frases curtas, objetivas e com ritmo leve.
Uma boa dica é ler em voz alta para avaliar se o texto soa natural.
Passo 5 – revise e finalize com impacto
A revisão é essencial para evitar repetições e garantir clareza. Muitas crônicas se destacam justamente pelo final surpreendente, seja com uma reflexão, seja com uma virada de humor.
Quais são os tipos de crônica?
- Crônica narrativa: conta um pequeno episódio do dia a dia;
- Crônica humorística: explora o riso como forma de crítica;
- Crônica reflexiva: convida o leitor a pensar sobre temas mais profundos;
- Crônica lírica: valoriza emoções e sensações, quase como um poema em prosa;
- Crônica jornalística: ligada a fatos e notícias do momento.
Que palavras usar para começar uma crônica?
O início da crônica desperta a curiosidade. Algumas expressões podem ajudar a dar o tom certo logo na abertura:
- Era uma manhã qualquer…
- Tudo começou quando…
- De repente, percebi que…
- Na esquina da rua, vi algo inusitado…
- Às vezes, basta um detalhe para mudar o dia…
A crônica tem título?
Sim, o título é parte fundamental de uma crônica. Um título criativo já prepara o leitor para o clima do texto.
Qual é o objetivo da crônica?
O objetivo da crônica é registrar, com leveza e crítica, situações comuns que merecem ser repensadas.
Qual é o tipo de linguagem usada na crônica?
A linguagem em uma crônica é simples e informal, geralmente alinhada com acontecimentos do cotidiano real.
Quantas páginas tem uma crônica?
Geralmente, a crônica ocupa de meia a uma página, nunca se estendendo demais.
Quantas linhas tem uma crônica?
Uma crônica não é um texto longo, em média possui cerca de seis parágrafos.
Qual é o papel da crônica na literatura?
A crônica ocupa um espaço especial na literatura brasileira. Autores como Rubem Braga, considerado o “pai da crônica moderna”, Clarice Lispector, com sua escrita intimista, e Luis Fernando Verissimo, mestre do humor, são nomes de grande destaque.
Além de seu valor literário, a crônica é valorizada por sua capacidade de dialogar com o cotidiano, tornando temas complexos mais acessíveis.
Por isso, é um gênero frequente em provas e redações, já que estimula a reflexão crítica e a interpretação de temas sociais, culturais e comportamentais com linguagem simples e direta.
A crônica nos vestibulares e no Enem
No Enem, a crônica aparece na prova de Linguagens, como texto de apoio ou interpretação, e não como proposta de redação.
Já nos vestibulares, pode acontecer de ser pedida a produção de uma crônica como tema de produção escrita. Nesse caso, a dica é manter a leveza do gênero, mas sem abrir mão da organização e da clareza.
Ter um cronograma de leitura com bons livros de cronistas pode ajudar muito na preparação.
Exemplo de como crônica aparece no Enem
Abaixo, confira a questão 35 da prova azul do primeiro dia do Enem 2022 comentada. Preste atenção em como a crônica é abordada:
Ser cronista
Sei que não sou, mas tenho meditado ligeiramente no assunto.
Crônica é um relato? É uma conversa? É um resumo de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances e contos.
E também sem perceber, à medida que escrevia para aqui, ia me tornando pessoal demais, correndo o risco de em breve publicar minha vida passada e presente, o que não pretendo. Outra coisa notei: basta eu saber que estou escrevendo para jornal, isto é, para algo aberto facilmente por todo o mundo, e não para um livro, que só é aberto por quem realmente quer, para que, sem mesmo sentir, o modo de escrever se transforme. Não é que me desagrade mudar, pelo contrário. Mas queria que fossem mudanças mais profundas e interiores que não viessem a se refletir no escrever. Mas mudar só porque isso é uma coluna ou uma crônica? Ser mais leve só porque o leitor assim o quer? Divertir? Fazer passar uns minutos de leitura? E outra coisa: nos meus livros quero profundamente a comunicação profunda comigo e com o leitor. Aqui no Jornal apenas falo com o leitor e agrada-me que ele fique agradado. Vou dizer a verdade: não estou contente.
LISPECTOR, C. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
No texto, ao refletir sobre a atividade de cronista, a autora questiona características do gênero crônica, como
- relação distanciada entre os interlocutores.
- articulação de vários núcleos narrativos.
- brevidade no tratamento da temática
- descrição minuciosa dos personagens
- público leitor exclusivo.
Alternativa correta: C
Logo no início do texto, Clarice Lispector levanta reflexões sobre o próprio gênero da crônica, questionando se seria apenas “um relato”, “uma conversa” ou “um resumo”, formas de comunicação geralmente marcadas pela brevidade.
Ao longo do texto, ela expressa certa frustração por não conseguir provocar “transformações mais profundas” ou internas no leitor, já que precisa se adequar à proposta de um texto curto, feito para ser rapidamente consumido em um jornal.
Exemplo de como crônica aparece no vestibular
Agora, vejamos como a crônica pode ser cobrada em um vestibular. No caso, é a proposta 2 da Redação Unicamp 2020:
Gênero: Crônica a ser publicada em uma revista semanal.
Interlocução: A interlocução nesse caso é bastante complexa. Você deve escrever numa revista tradicional, cujos leitores já esperam um gênero que tem características bastante precisas e estáveis, ou seja, a interlocução se dá pelo desenvolvimento apropriado do gênero. Isso requer que o escritor tenha consciência das regras da crônica, apreendidas pela leitura (interlocução) com outros textos. Nesse caso, a Banca providenciou outro texto que deveria servir como exemplo. Ou seja, o escritor é também leitor e deve mostrar que seguiu a estrutura da crônica sugerida.
Situação: você leu um artigo no El Pais sobre micromachismo e percebeu que em algum momento da vida também já foi machista nas pequenas coisas do cotidiano. Resolve fazer uma crônica sobre isso. Deve revelar uma ação feita no passado que revele esse lado, agora, negado. Além de narrar o que aconteceu, deve também registrar suas reflexões. O mote deve ser tirado de uma lista de 12 “pequenos pecados” machistas que integra a coletânea.
Tipologia textual: o tipo de texto que serve de base para essa escrita é a narração.
Redação nota mil: comece a preparar a sua agora
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O segredo da crônica perfeita: técnicas práticas de observação ativa
Escrever uma boa crônica exige treinar o olhar para o que a maioria das pessoas deixa passar batido. O maior erro de quem tenta criar um texto desse gênero é querer inventar grandes dramas ou cenários fictícios complexos.
O verdadeiro cronista trabalha com a observação ativa do cotidiano.
Para destravar sua escrita, experimente focar em pequenos paradoxos e detalhes:
- O insolito no comum: como as pessoas reagem quando o sinal do Wi-Fi cai no meio de um café cheio?
- A personificação de objetos: e se a caneta desgastada que você usa para estudar contasse a história das suas madrugadas de esforço?
- Diálogos fragmentados: prestar atenção em frases soltas ouvidas na fila do supermercado ou no transporte público pode ser o ponto de partida ideal para construir um enredo reflexivo ou humorístico.
Figuras de linguagem para o gênero crônica
Como a crônica transita na fronteira tênue entre o jornalismo (realidade) e a literatura (arte), o uso de recursos estilísticos é o que transforma um relato burocrático em um texto emocionante.
Dominar certas figuras de linguagem garante que sua crônica ganhe o ritmo e a expressividade necessários:
- Ironia: fundamental para as crônicas humorísticas e jornalísticas, consiste em dizer o oposto do que se pensa para fazer uma crítica social leve e inteligente;
- Metáfora: ajuda a transportar o leitor para o plano reflexivo. Comparar o fluxo do trânsito de uma grande metrópole com as veias entupidas de um coração cansado, por exemplo, enriquece a semântica do texto;
- Hipérbole: o exagero intencional funciona muito bem para dar tom dramático ou cômico a situações banais, como descrever a espera de cinco minutos na fila de um banco como “uma eternidade secular”.
Do texto literário ao mercado: por que profissionais de comunicação devem dominar a crônica?
Escrever crônicas não é um exercício restrito a romancistas. No mercado profissional atual, a habilidade de transformar cenários corriqueiros em narrativas altamente engajadoras é uma das competências mais valiosas no universo do Storytelling e do Copywriting.
Jornalistas, redatores publicitários e profissionais de Letras utilizam a estrutura ágil e humanizada da crônica para humanizar marcas, criar conteúdos que viralizam nas redes sociais e assinar colunas de opinião influentes em portais de notícias.
O domínio desse formato demonstra que você sabe como prender a atenção do leitor em um mundo saturado de informações rápidas, habilidade que é desenvolvida na prática nos cursos superiores de Comunicação e Humanas da Gran Faculdade.
FAQ: respostas sobre como fazer uma crônica
Qual a principal diferença entre crônica, conto e crônica jornalística?
A crônica retrata um flagrante do cotidiano real com um tom pessoal; o conto é uma narrativa ficcional estruturada com conflito e clímax próprios, a crônica jornalística une o fato verídico e atual de uma notícia à subjetividade e ao estilo literário do autor.
Uma crônica pode ser escrita em primeira pessoa?
Sim. A crônica é um dos gêneros mais flexíveis da língua portuguesa. Ela pode ser narrada tanto em primeira pessoa (narrador-personagem que vivencia o fato) quanto em terceira pessoa (narrador-observador que apenas relata o que vê).
Como escolher o título ideal para uma crônica?
O título deve ser instigante e preferencialmente curto. Evite títulos literais ou óbvios. Opte por termos que ganhem um novo significado após o leitor chegar à última linha do texto.
Quantos personagens devem ter uma crônica?
Por ser um gênero textual curto e focado em um único momento do tempo, a crônica deve ter poucos personagens (geralmente de um a três). Muitos personagens podem desviar o foco da reflexão central e poluir a narrativa.
Qual a melhor forma de concluir uma crônica com impacto?
Termine com uma “chave de ouro”: uma pergunta retórica que faça o leitor refletir, uma ironia sutil sobre o comportamento humano ou uma frase poética que amarre a cena descrita no início com a moral da história.
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